"Dentro de si sentiu de nôvo acumular-se o tempo vivido. A sensação era flutuante como a lembrança de uma casa em que se morou. Não da casa própriamente, mas da posição da casa dentro de si, em relação ao pai batendo na máquina, em relação ao quintal do vizinho e ao sol de tardinha. Vago, longínquo mudo. Um instante... acabou-se . E não podia saber se depois desse tempo vivido viria uma continuação ou uma renovação ou nada, como uma barreira. Ninguém, nada... não era obrigada a seguir o próprio começo... Doia ou alegrava ? No entanto sentia que a estranha liberdade que fôra sua maldição, que nunca ligara nem a si própria, essa liberdade era o que iluminava a matéria. E sabia que daí vinha sua vida e seus momentos de glória e daí vinha a criação de cada instante futuro. "(Perto do coração selvagem, Clarice Lispector )
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Um comentário:
Mto bom ^.^ , próximo livro da Clarice meu tbm !! rsss :p
(escrever igual menininha domina...)
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